O ICAM promove o bem-estar como um eixo estratégico para transformar a cultura da profissão de advogado

Artigo27 de maio de 2026
A ECIJA reforça o seu compromisso com modelos de trabalho sustentáveis, centrando-se na liderança, na cultura organizacional e no bem-estar como factores-chave da competitividade.

A dificuldade de desconexão, o burnout, a pressão da disponibilidade constante e o aumento da rotatividade de talentos foram temas centrais do debate do 1º Fórum de Bem-Estar da Advocacia, organizado pela Fundação ICAM. O evento evidenciou uma mudança de paradigma no sector jurídico: o bem-estar deixou de ser uma questão secundária e passou a ser um elemento estratégico diretamente ligado à sustentabilidade das equipas e à excelência na prestação de serviços.

Durante o evento, ficou claro que factores como a saúde mental, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, a liderança e a segurança psicológica estão a assumir um papel central na transformação da profissão jurídica, num contexto marcado por maiores exigências, complexidade e pressão competitiva.

O discurso de abertura sublinhou a necessidade de se proceder a uma profunda transformação cultural na profissão, ultrapassando a normalização histórica do stress, do burnout e da sobrecarga de trabalho. Neste novo panorama, foi feito um apelo à criação de ambientes profissionais mais humanos, conscientes e sustentáveis, onde o bem-estar seja estruturalmente integrado na cultura organizacional.


ECIJA: da retórica à integração efectiva do bem-estar

Neste contexto, a ECIJA destacou a sua abordagem baseada na integração real do bem-estar no seu modelo organizacional, afastando-se de abordagens meramente declarativas.


Durante o Fórum, Lydia Pascual, em representação da ECIJA, sublinhou a importância de abordar o bem-estar numa perspetiva estratégica, ligando-o aos indicadores de negócio, à cultura e à gestão do talento. A este respeito, salientou a necessidade de:

  • Integrar o bem-estar na tomada de decisões e na estratégia global da empresa
  • Assegurar o apoio ativo da direção
  • Medir o seu impacto através de indicadores como a rotação do pessoal, o clima interno ou a utilização de recursos de apoio
  • Complementar os dados com mecanismos de consulta direta e próxima das equipas

Esta abordagem baseia-se numa convicção clara: as organizações que cuidam dos seus profissionais não só melhoram o seu clima interno, como também são mais sustentáveis, mais inovadoras e mais competitivas.


Medir, ouvir e antecipar: chaves para uma prática jurídica sustentável

Um dos principais pontos de consenso do encontro foi a necessidade de avançar para modelos de gestão mais sofisticados, onde o bem-estar possa ser medido, analisado e gerido de forma eficaz.

A este respeito, foi salientado que:

  • O que não é medido não pode ser gerido: a incorporação de métricas permite a tomada de decisões informadas
  • A escuta qualitativa é fundamental: as conversas diretas, as boas relações e a confiança complementam os dados
  • A antecipação é essencial: a deteção de sinais de alerta precoce evita situações mais graves de esgotamento profissional

Foi ainda destacado o impacto da digitalização e da inteligência artificial nos modelos de trabalho, reforçando a necessidade de adaptar as políticas de gestão de pessoas a novos ambientes, mais dinâmicos e exigentes.


Cultura e liderança: uma verdadeira mudança

Para além de ferramentas ou indicadores, o Fórum destacou que o maior desafio do sector continua a ser cultural. A transformação implica a passagem dos modelos tradicionais - baseados na disponibilidade constante - para estruturas mais equilibradas e sustentáveis.


Neste sentido, o papel da liderança foi destacado como um elemento-chave para impulsionar esta mudança, promovendo ambientes com:

  • Maior segurança psicológica
  • Espaços genuínos de escuta
  • Modelos eficazes de conciliação entre a vida pessoal e profissional
  • Equipas mais coesas e empenhadas

O bem-estar como uma vantagem competitiva

A reunião terminou com uma mensagem clara: o bem-estar tornou-se um fator diferenciador fundamental para atrair e reter talentos, especialmente num ambiente em que as gerações mais jovens dão cada vez mais prioridade ao equilíbrio entre a vida profissional e pessoal e ao propósito profissional.


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Un jugador de hockey sobre hielo con el número 81 en su camiseta observa el juego desde el banquillo.
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