Embalagens simples de tabaco: proteção da saúde ou violação dos direitos de marca?

Artigo11 de setembro de 2025
Embora a embalagem simples dos produtos do tabaco tenha sido excluída do projeto de reforma da Lei Antitabaco, o Ministério da Saúde mantém a sua intenção de a promover, reabrindo o debate sobre a proteção da saúde versus direitos de marca e livre concorrência.

A embalagem genérica ou simples dos produtos do tabaco, que consiste em retirar todos os sinais gráficos e visuais dos maços e substituí-los por uma cor uniforme com tipografia padrão reduzida, tornou-se um tema de debate jurídico, económico e de saúde em Espanha.


A medida, promovida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e incluída como opção na Diretiva 2014/40/UE, já está em vigor em países como a França, a Bélgica e os Países Baixos. Em Espanha, no entanto, foi excluída do projeto de reforma da Lei Antitabaco, embora o Ministério da Saúde tenha manifestado a sua intenção de a incorporar no futuro.


Propriedade intelectual e direitos de marca

As associações de defesa das marcas, como a ANDEMA, argumentam que esta medida constituiria uma violação dos direitos de propriedade industrial, reconhecidos na Lei das Marcas. "As marcas são impedidas de desempenhar as suas duas funções básicas: identificar o produto e diferenciá-lo da concorrência", afirma Gerard Guiu, diretor-geral da ANDEMA.


Na mesma linha, Cristina Casas Feu, advogada especializada em propriedade industrial, adverte que privar as empresas dos seus nomes registados, cores ou sinais distintivos limita os seus direitos legítimos enquanto titulares de marcas.


Risco de contrafação e de contrabando

Outro argumento contra as embalagens simples é o risco de facilitar a contrafação e o contrabando. A homogeneização das embalagens facilitaria a cópia de produtos, aumentando o comércio ilegal e, com ele, os riscos para a saúde associados aos produtos contrafeitos. Em países como o Reino Unido e a França, pioneiros nesta medida, foram registados aumentos do consumo ilegal entre 20% e 30%.


Livre concorrência versus proteção da saúde

Do ponto de vista jurídico, Patricia Liñán Hernández, sócia da ECIJA e especialista em Direito da Concorrência e da União Europeia, sublinha que as embalagens genéricas limitam a liberdade de empresa e a livre concorrência, podendo causar confusão entre os consumidores. A questão, explica, gira em torno de um conflito entre dois bens constitucionalmente protegidos: a liberdade de empresa e a livre concorrência, por um lado, e a proteção da saúde, por outro.


A chave reside na aplicação da técnica da ponderação, avaliando se a medida é verdadeiramente necessária e proporcional para atingir o seu objetivo sanitário ou se existem alternativas menos restritivas.


Um debate aberto

Enquanto as empresas de tabaco e as associações de marcas condenam as consequências económicas e jurídicas da medida, as organizações de saúde insistem que as embalagens simples são um instrumento necessário para reduzir a atração pelo tabaco.


Por enquanto, a indústria do tabaco mantém as suas embalagens diferenciadas em Espanha, mas a incerteza permanece: será que as embalagens simples acabarão por ser o caminho escolhido para reforçar a luta contra o tabagismo, mesmo à custa da restrição dos direitos de marca e da concorrência?

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