Dia da Internet mais segura

Artigo11 de fevereiro de 2026
Alejandro Touriño analisa a forma como a cultura de LegalTech e LegalOps se torna fundamental para integrar a cibersegurança, a conformidade regulamentar e a confiança digital na prática jurídica.

Neste contexto, o legaltech está a consolidar-se como uma disciplina fundamental para enfrentar os desafios jurídicos do ambiente digital, ligando o conhecimento jurídico à tecnologia e aos negócios. A formação especializada em legaltech permite aos profissionais antecipar riscos, garantir o cumprimento da regulamentação em vigor e contribuir ativamente para a construção de um ecossistema digital mais seguro, em linha com os princípios promovidos pelo Dia da Internet Segura.


1. Face à crescente ameaça de ciberataques e à exposição de dados sensíveis, como devem os advogados incorporar uma cultura de cibersegurança na sua prática quotidiana?

Em vez de transformar os advogados em peritos técnicos, o desafio consiste em integrar a cibersegurança como uma parte natural da prática jurídica e da gestão de riscos. Isto implica compreender como os dados são gerados, utilizados e partilhados, adotar processos seguros nas operações diárias e trabalhar em coordenação com a tecnologia, a conformidade regulamentar e as áreas de negócio. A cultura da segurança cibernética começa com a conceção do processo, não com a ferramenta.


Do ponto de vista da LegalTech e da LegalOps, a chave é operacionalizar a conformidade: estabelecer fluxos de trabalho, controles e responsabilidades claras que minimizem os riscos e permitam que os advogados tomem decisões informadas sem retardar a atividade comercial.


2. Que papel desempenha o programa LegalTech e LegalOps do The Valley na preparação dos advogados para gerir estes riscos?

O programa LegalTech & LegalOps da The Valley prepara os advogados para compreender e gerir a complexidade do ambiente digital numa perspetiva transversal, onde convergem o direito, a tecnologia e o negócio. Não se trata apenas de conhecer os regulamentos, mas de aprender a implementar modelos operacionais, processos e ferramentas que permitam uma conformidade eficiente e sustentável.


A nossa abordagem coloca especial ênfase na forma como as decisões são tomadas, como os dados são geridos e como os riscos são geridos, proporcionando aos profissionais uma linguagem comum com perfis tecnológicos e empresariais, o que é essencial para enfrentar com sucesso os desafios actuais.


3. Qual acredita que será o impacto a longo prazo da formação em LegalTech e LegalOps, quer individualmente para os advogados, quer coletivamente para as organizações?

Individualmente, a formação em LegalTech e LegalOps transforma o perfil do advogado, que deixa de ser um mero intérprete de regras para se tornar um consultor estratégico, focado em processos, dados e resultados. Isso aumenta a sua empregabilidade, capacidade de liderança e relevância dentro das organizações.


Coletivamente, o impacto é ainda maior: as organizações que integram estas competências conseguem serviços jurídicos mais eficientes, previsíveis e alinhados com o negócio, reduzindo o risco e gerando confiança interna e externa.


4. Como deve a advocacia evoluir para integrar a tecnologia de forma mais integrada, sem perder a componente humana e ética que caracteriza a profissão, garantindo a confidencialidade de todos os dados que gere?

A tecnologia deve ser encarada como um elemento que permite uma melhor prática profissional e não como um substituto. A prática jurídica deve evoluir para modelos em que a automatização liberta tempo para a análise, o julgamento e a tomada de decisões, reforçando assim a componente humana e ética do advogado.


Do ponto de vista do LegalOps, isto traduz-se em modelos de governação de dados, rastreabilidade das decisões e controlo dos processos, que garantem a confidencialidade e a conformidade regulamentar sem sacrificar a qualidade do aconselhamento ou a relação de confiança com o cliente.


5. Que barreiras ou desafios enfrentam os advogados e as organizações na implementação de ferramentas LegalTech?

O principal desafio não é tecnológico, mas cultural e organizacional. Muitas iniciativas LegalTech falham porque as ferramentas são implementadas sem primeiro repensar os processos, papéis e objectivos a serem alcançados.


É por isso que na LegalOps insistimos que a tecnologia deve vir depois de projetar o modelo operacional. A resistência à mudança, a falta de métricas claras e a desconexão entre os departamentos jurídico, de TI e de negócios continuam sendo as principais barreiras.


6. Uma das principais preocupações decorrentes da crescente exposição à Internet é a proteção de dados e a cibersegurança. Quais são os principais desafios jurídicos enfrentados pelas empresas neste domínio e como pode a LegalTech oferecer soluções eficazes?

O principal desafio jurídico é gerir a conformidade regulamentar de forma dinâmica num ambiente em mudança, com múltiplas jurisdições, grandes volumes de dados e novas utilizações tecnológicas como a inteligência artificial. O risco já não é apenas punitivo, mas também reputacional e operacional.


A LegalTech permite a automatização dos controlos, o acompanhamento dos riscos e a produção de provas de conformidade regulamentar, facilitando a gestão proactiva da proteção de dados e reduzindo a dependência de abordagens puramente reactivas.


7. Em linha com a pergunta anterior, vemos que a confiança digital se tornou muito relevante, especialmente na relação entre empresas e utilizadores. Como é que a LegalTech contribui para a transparência e o cumprimento dos regulamentos de proteção de dados dos clientes?

A LegalTech contribui para a confiança digital ao tornar a conformidade regulamentar visível, rastreável e compreensível tanto para as organizações como para os utilizadores. Ferramentas bem projetadas facilitam a explicação de como os dados são usados, como são protegidos e quais são os direitos dos clientes.


Neste sentido, o LegalOps desempenha um papel fundamental na transformação da regulamentação em processos claros e mensuráveis, alinhando a conformidade regulamentar, a experiência do utilizador e os objectivos de negócio. Essa coerência é a base para a confiança digital sustentável.


Acesse a entrevista completa publicada no Diario Jurídico aqui.

Una serie de enormes triángulos iluminados por luces rojas en un entorno nocturno.

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