Agenda Nacional de Inteligência Artificial (ANIA) e Plano de Ação 2026-2030

Artigo15 de janeiro de 2026

 

 

Foi publicada a Resolução do Conselho de Ministros n.º 2/2026, que aprova a Agenda Nacional de Inteligência Artificial (ANIA) e o respetivo Plano de Ação 2026-2030, definindo a estratégia nacional para a adoção, desenvolvimento e governação da IA em Portugal, em alinhamento com o Regulamento Europeu da IA (AI Act).

 

Implicações práticas

  1. IA passa a ser prioridade de política pública

A IA deixa de ser apenas um tema tecnológico e passa a integrar formalmente a estratégia económica, administrativa e regulatória do Estado, com impacto direto:

  • na contratação pública,
  • no acesso a financiamento,
  • na governação interna das organizações.
 
  1. Empresas: maior exigência de governação e conformidade

As empresas que desenvolvem, fornecem ou utilizam IA devem:

  • mapear sistemas de IA e identificar eventuais sistemas de alto risco;
  • integrar gestão de risco, documentação técnica e monitorização contínua nos projetos;
  • reforçar a due diligence a fornecedores de IA, incluindo dados, segurança e responsabilidades contratuais;
  • alinhar a formação interna com as obrigações de literacia em IA.
 
  1. PME: incentivos, mas com requisitos

A Agenda prevê instrumentos dedicados à adoção de IA pelas PME (plataformas e linhas de apoio), mas:

  • mesmo soluções low/no-code exigirão avaliação de risco e conformidade;
  • a responsabilidade legal não desaparece com a “simplicidade” tecnológica.
 
  1. Administração Pública: novo padrão nas compras de IA

A Administração Pública assume um papel ativo como catalisadora da adoção de IA, o que implicará:

  • novos critérios nos cadernos de encargos (transparência, risco, segurança, dados);
  • maior exigência de documentação e auditabilidade;
  • reforço da governação interna e da reutilização de soluções.
 
  1. Dados e infraestrutura ganham centralidade jurídica

O foco em capacidade computacional e espaços de dados setoriais torna crítico:

  • clarificar direitos sobre dados, licenças e reutilização;
  • alinhar políticas internas de governação de dados com o RGPD e o AI Act;
  • rever cláusulas contratuais sobre acesso, interoperabilidade e dependências externas.
 

O que fazer agora

Empresas e entidades públicas devem:

  1. Fazer um diagnóstico interno de IA (sistemas, riscos, responsabilidades).
  2. Preparar um roteiro de conformidade com o AI Act.
  3. Rever contratos e procurement de tecnologia com foco em IA.
  4. Estruturar planos de formação e governação interna.
  5. Monitorizar oportunidades de financiamento, sandboxes e parcerias.
 

Nota final

A ANIA sinaliza claramente que, em Portugal, a adoção de IA será cada vez mais indissociável de governação, compliance e responsabilidade. A preparação jurídica antecipada será um fator crítico de competitividade.

 

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